Para quem tenta colocar um sinal de igualdade entre a Ditadura Militar e as guerrilhas que a combateram, vejam o depoimento dado por Charles Elbrick, o embaixador dos EUA sequestrado pelos grupos MR8 e ALN (sendo esta a organização liderada por Marighella):
"Bom, daquele momento em diante eu fui tratado muito bem, devo dizer, que se um dia eu for sequestrado ou colocado na prisão, eu gostaria de ser tratado da maneira que eu fui tratado dali em diante. No dia seguinte eles foram muito agradáveis, atenciosos, eles tentaram fazer o que podiam para ver se eu estava confortável. Não era muito, mas eles tinham recursos limitados eu suponho."
Ele também relatou que recebeu revistas antigas e um livro em inglês sobre Ho Chi Min para ler, além de ter seu estoque de cigarrilhas sempre reposto e ter sido alimentado. Segundo Elbrick, a comida não era muito boa, mas os guerrilheiros se desculparam por não serem bons cozinheiros.
Exaltação e propaganda da Ditadura Militar na voz de Cid Moreira
1987
Jô Soares desabafa contra a Globo ao receber Troféu Imprensa de Melhor Humorista, pelo SBT
Aconteceu em 1987 o que hoje nem os mais otimistas poderiam considerar. Ao vivo, Jô Soares desabafa contra a Rede Globo em cadeia nacional.
Após receber das mãos de Sílvio Santos o troféu imprensa de melhor
humorista, Jô pede licença para ler um artigo de sua autoria publicado
no Jornal do Brasil. O conteúdo da mensagem trata de práticas habituais
da emissora dos Marinho que sobrevivem até os dias atuais. Isto é,
pisotear quem não mais lhe serve; censurar tudo o que representa
interesses contrários; abusar da influência para engendrar perseguições e
manipular o imaginário popular.
Documentário produzido pela BBC de Londres, lançado em 1993 e desde então censurado no Brasil.
O título Além do Cidadão Kane faz alusão a um filme inspirado na vida de William Hearst, magnata da imprensa norte-americana, corrupto, responsável pela produção de matérias sensacionalistas e por manipulações grosseiras com fins políticos*. Qualquer semelhança com o legado de Roberto Marinho não é mera coincidência.
Embora a Record seja proprietária dos direitos de transmissão desde 2009, ainda não logrou transmitir o filme em cadeia nacional. No entanto, a peça já foi exibida em espaços públicos e circula desde então em cópias (VHS, CD, DVD), tornando-se bastante acessível nos dias de hoje através da Internet.
Um autor anônimo narra que os esforços dos Marinhos e do Estado em censurar a obra acabaram contribuindo para torná-la um hit e um cult:
Como a celeuma em torno da censura ao documentário "Além do Cidadão Kane" ajudou a transformar o filme num cult
Foi há exatamente dez anos, em 1993. O documentário "Além do Cidadão
Kane", da BBC havia sido apresentado em uma única sessão no Museu da
Imagem e do Som (MIS). Até aí, tudo bem, e a repercussão do filme não
teria nada de extraordinário, não fosse a decisão do então secretário da
cultura do estado, Ricardo Ohtake, de demitir o programador do MIS,
Geraldo Anhaia Mello, por ordens diretas do então governador Fleury, o "marechal do Carandiru". Para quem não é de São Paulo, o governo Fleury é
considerado um dos mais corruptos da história do estado, só perdendo
para o de seu padrinho político Orestes Quércia. A justificativa de
Ohtake era que o filme estaria sendo exibido sem a autorização de seu
diretor, Simon Hartog, mas todos diziam que o motivo real eram as
pressões vindas diretamente de Roberto Marinho.
Imediatamente
inicia-se violenta polêmica na imprensa, e Geraldo Anhaia Mello, longe
de se intimidar, parte para o contra-ataque através do jornal "Folha de
São Paulo" Tão logo toma conhecimento do caso, o próprio Simon Hartog
envia autorização liberando a veiculação irrestrita do documentário em
território nacional, e assim o pretexto para censurar o filme cai por
terra. Não resta ao MIS outra alternativa senão realizar sessões
gratuitas do filme, que atraem multidões que nunca teriam tomado
conhecimento do documentário sem a celeuma em torno de sua censura. Eu
fui uma das pessoas que compareceu a uma dessas sessões sempre lotadas, e
apesar de ir muito ao cinema, foi o único filme a que assisti até hoje
que foi aplaudido de pé no final. Homenagem mais do que merecida, não só
ao filme (que dizia o que ninguém no Brasil tinha peito de dizer), mas à
coragem e determinação do jornalista Geraldo Anhaia Mello.
"Já no Governo, em 1992, Brizola dá uma entrevista, dizendo que por
toda a sabotagem que a Globo fizera à Passarela do Samba, o prefeito da
cidade, Marcello Alencar deveria negar à emissora a exclusividade da
transmissão do Carnaval.
Foi o que bastou para que o jornal O Globo publicasse um
editorial violentíssimo contra Brizola – o título era “Para Entender a
Fúria de Brizola”, acusando-o de senilidade, “declínio da saúde
mental”, e por suas relações, sempre institucionais, com o Presidente da
República, Fernando Collor.
À noite, o Jornal Nacional reproduziu, na voz de Moreira, o texto insultuoso."
Brizola solicita redação de texto pelo Britto e entram no dia seguinte com pedido de direito de resposta.
"Foram dois anos e um mês de espera pela Justiça.
(...)
No final do dia 9 de março chega a notícia da vitória no Superior
Tribunal de Justiça, mas ainda havia um recurso possível e um
“notificaram a Globo ou não notificaram?”. O ceticismo, confesso, era
maior que a ansiedade.
No próprio dia 15, terça da semana seguinte, quando o texto foi ao
ar, não críamos – nem eu, nem Brizola – que aquilo iria acontecer".
2010
Petkovic defende o socialismo e faz um golaço em Ana Maria Braga
A apresentadora global Ana Maria Braga adora o consumismo capitalista e nunca escondeu a sua rejeição às idéias de esquerda. Mas, geralmente, ela exagera nas suas paixões. No seu programa da TV Globo da semana passada, ela entrevistou o jogador sérvio Dejan Petkovic, atual campeão pelo Flamengo e craque reconhecido por todos os apreciadores do futebol. A entrevista até que ia bem, quando ela não se conteve e disparou: “Como foi nascer num país com tanta dificuldade?”.
2011 Sociólogo desmonta matéria da Globo contra jovens britânicos
A tese do jornalismo da Globo (comandado por um sujeito que afirma não existir racismo no Brasil) era simples: os jovens que têm promovido manifestações em Londres e noutras cidades inglesas deveriam ser tratados por criminosos – “marginais” foi o termo usado – por alguém da “academia”. Convidaram o sociólogo Silvio Caccia Bava, do Instituto Pólis (entidade história na luta por moradia e pela reforma urbana), para confirmar a tese. Deu no que deu: desastre para a Globo News.
Em critica à indústria dos paparazzis, Pedro Cardoso acaba fazendo contundente denúncia à própria Rede Globo.
2013
Globo censura repórter que elogia medicina de Cuba
Programa da Globo News pretendia massacrar o Mais Médicos, mas o
jornalista Jorge Pontual faz relato positivo da medicina cubana. Este
trecho foi retirado do site da Globo News na Internet.
2014
Uma aula de Venezuela e um pito na Globo, em plena Globo
Em debate na Globonews, Igor Fuser, professor de Relações Internacionais
da UFABC, explica a crise, derruba o mito da ‘falta de liberdade’ no
país vizinho e desnuda a parcialidade da imprensa.
2015 Angélica e equipe desistem de gravar matéria na Unirio devido a protesto de estudantes contra a emissora
Em
4 de Março de 2015, Angélica e sua equipe se preparavam para gravar no
jardim da Universidade Unirio, na Urca, quando foram surpreendidos pelos
alunos cantando e gritando palavras de ordem.
"O povo não é bobo, abaixo a rede globo!"
Para além de ser mais uma demonstração de repúdio à emissora, o
episódio produziu uma imagem que chamou a atenção e foi objeto de
colunas em blogs e jornais.
Angélica, sendo protegida do Sol
por uma trabalhadora negra, tal qual as pinturas de Debret registraram
nos tempos da escravidão no Brasil. A imagem que estamos compartilhando
tiramos do Blog Carcará - e contêm a mesma cena em duas ocasiões
diferentes: http://carcara-ivab.blogspot.com.br/2015/03/sinha-angelica.html
Doutor em Sociologia dá aula de Política na Rede Globo (sobre protestos do dia 15 de março)
Os repórteres da Globo Espírito Santo bem que tentaram induzir o Prof. Dr. Vitor Amorim de Ângelo a confirmar a tese de que a corrupção é um problema circunscrito ao PT e ao Executivo, de que as manifestações de 15 de março não foram majoritariamente de eleitores de Aécio Neves, entre outros disparos de senso-comum.
Mas muito educadamente e serenamente, o sociólogo problematizou e desmontou essas versões dos fatos.
2015
Ativistas são presos durante homenagem a Rede Globo na Câmara
Para coroar os 50 anos de Rede Globo, foi arranjada sob medida uma sessão solene na Câmara dos Deputados: esvaziada, sem povo e autoritária.
Três pessoas que abriram faixa e denunciaram o envolvimento da emissora com a Ditadura Militar foram retirados à força do Plenário da Câmara.
São militantes pela Democratização dos Meios de Comunicação que almejam uma comunicação verdadeiramente plural e democrática no país, o que não existirá enquanto as concessões de rádio e TV forem objeto de monopólio, não obedecendo a dispositivos constitucionais por absoluta falta de regulamentação (que as mentes obtusas confundem com "censura", mas nada tem a ver com isto).
* Os tentáculos de William Hearst chegaram bem além das fronteiras dos EUA, tendo ele
se envolvido com o Partido Nacional-Socialista (Nazista) Alemão e
contribuido para construir a farsa do Holodomor (suposto genocídio de ucranianos pela URSS), eficientemente usada pelos alemães na II Guerra Mundial e pelos EUA durante a Guerra Fria. Mesmo com o fim da URSS, o mito do Holodomor permaneceu sendo usado para fomentar o neonazismo na Ucrânia, que ganhou força até ser capaz do recente Golpe de Estado que instaurou uma grava crise na região.
Para se ter uma ideia do nível em que o poder público e os interesses privados estavam misturados (síntese da corrupção), vejam o que escreveu Alexandre Barros (1991, p. i-ii), especialista em lobby empresarial que se notabilizou como teórico durante a Ditadura Militar e vive desde a década de 1980 como consultor de empresas e “embaixadas” (sic) (BARROS, 1991):
"Nos tempos do regime militar, dada a alta concentração de poder, as empresas podiam limitar-se a conversar com dois ou três burocratas e conseguiam, de uma forma ou de outra, resolver seus problemas.
A partir da redemocratização o processo ficou mais complicado e passou a envolver muito mais gente".
São palavras encontradas em um livrinho muito interessante chamado "Lobby - Como fazer o governo trabalhar para a sua empresa... legalmente".
A Reforma Agrária que não aconteceu e o crescimento do crime organizado, tudo a ver.
Quanto à violência e criminalidade, para além do fato de que a tortura de prisioneiros políticos era política de Estado (tendo sido justificada como "necessária" por Geisel), é importante observar que os militares deram grande contribuição para o processo de favelização das grandes cidades. A maioria da população das favelas desde sempre foi composta por trabalhadores, mas o abandono dessas pessoas à miséria e a ausência do Estado nesses locais (à exceção de seu braço armado, a polícia) propiciaram o surgimento de um poder paralelo, o crime organizado que explodiria nos anos seguintes.
Rio de Janeiro, 1983. Uma foto que ilustra bem a relação entre o Estado e o povo pobre, negro e morador da periferia. Tal relação não se inaugurou com o Regime Militar nem foi dissolvida com o fim dele. Isto é herança do sistema escravocrata. Ainda existem abusos do Estado, racismo e graves violações dos direitos dessa população. Embora os militares não sejam os únicos responsáveis por esta cena, as grandes cidades poderiam ter sido organizadas de outra forma caso a Reforma Agrária proposta por João Goulart em 1964 tivesse sido levada a cabo.
Explico a responsabilidade dos milicos: uma das principais consequências do Golpe de 1964 foi o impedimento da Reforma Agrária proposta por João Goulart. Sem Reforma Agrária (que os países capitalistas mais desenvolvidos do mundo fizeram, mas por aqui dizem que é coisa de comunista) o processo de industrialização do campo e urbanização no Brasil foi concluído com intenso êxodo rural. A população migrava do campo para as cidades e era recebida em condições precárias. O descaso das autoridades obrigou essas pessoas a improvisarem moradias nos arredores das cidades, muitas vezes em áreas íngremes.