Mostrando postagens com marcador Socialismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Socialismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Paul Robeson: "onde quer que eu tenha estado no mundo (...) os primeiros a morrer na luta contra o fascismo foram os comunistas"

Trechos do depoimento de Paul Robeson ao Comitê de Atividades Anti-Americanas da Câmara dos EUA em 1956. Paul Robeson foi jogador de futebol americano, graduado em Direito na Universidade Columbia, ator, cantor, militante anti-imperialista, pela paz, pelos direitos dos negros e pela libertação dos povos colonais. Teve seu passaporte revogado por anos em função da perseguição sofrida na "democracia" norte-americana.


O que você quer dizer com Partido Comunista? Pelo que eu sei, é um partido legal como o Partido Republicano e o Partido Democrata. Você quer dizer um grupo de pessoas que se sacrificaram pelo meu povo e por todos os americanos e trabalhadores, para que possam viver com dignidade? Você quer dizer aquele partido?

(...)

Senhores, em primeiro lugar, onde quer que eu tenha estado no mundo, Escandinávia, Inglaterra e muitos lugares, os primeiros a morrer na luta contra o fascismo foram os comunistas e eu coloquei muitas coroas sobre os túmulos dos comunistas.

(...)

Eu poderia dizer que a razão de eu estar aqui hoje, você sabe, da boca do próprio Departamento de Estado, é: eu não deveria ter permissão para viajar porque lutei durante anos pela independência dos povos coloniais da África. Por muitos anos trabalhei muito e posso dizer modestamente que meu nome é muito honrado em toda a África, em minhas lutas por sua independência. Esse é o tipo de independência que Sukarno obteve na Indonésia. A menos que estejamos falando ambiguamente, esses esforços no interesse da África estariam no mesmo contexto. A outra razão pela qual estou aqui hoje, novamente do Departamento de Estado e dos autos do tribunal de apelações, é que, quando estou no exterior, falo contra as injustiças contra o povo negro desta terra. Enviei uma mensagem para a Conferência de Bandung e assim por diante. É por isso que estou aqui. Esta é a base, e não estou sendo julgado por ser comunista, estou sendo julgado por lutar pelos direitos do meu povo, que ainda são cidadãos de segunda classe nestes Estados Unidos da América. Minha mãe nasceu em seu estado, Sr. Walter, e minha mãe era uma quaker, e meus ancestrais na época de Washington assaram pão para as tropas de George Washington quando eles cruzaram o Delaware, e meu próprio pai era um escravo. Estou aqui lutando pelos direitos do meu povo de serem cidadãos plenos neste país. E eles não são. Eles não são no Mississippi. E eles não são em Montgomery, Alabama. E eles não são em Washington. Eles não são em lugar nenhum, e é por isso que estou aqui hoje. Você quer calar a boca de todo negro que tem coragem de se levantar e lutar pelos direitos de seu povo, pelos direitos dos trabalhadores, e eu também estive em muitos piquetes pelos metalúrgicos. E é por isso que estou aqui hoje. . . .

(...)

Na Rússia, pela primeira vez me senti um ser humano completo. Nenhum preconceito de cor como no Mississippi, nenhum preconceito de cor como em Washington. Foi a primeira vez que me senti um ser humano. Onde não senti a pressão da cor como a sinto hoje neste Comitê.


Por que você não fica na Rússia?

Porque meu pai era escravo, e meu povo morreu para construir este país, e eu vou ficar aqui e ter uma parte dele como você. E não tem gente de mente fascista que vai me afastar disso. Está claro? Eu sou a favor da paz com a União Soviética, e eu sou a favor da paz com a China, e não sou a favor da paz ou da amizade com o fascista Franco, e não sou a favor da paz com os fascistas alemães nazistas. Eu defendo a paz com pessoas decentes.

Você está aqui porque está promovendo a causa comunista.

Estou aqui porque me oponho à causa neofascista que vejo surgir nestes comitês. (...)


Fonte: http://historymatters.gmu.edu/d/6440/

 

 https://cdni.rbth.com/rbthmedia/images/2019.03/original/5c7d016b15e9f96fce15f730.jpg

sábado, 18 de julho de 2020

Lennon, Losurdo e a burocracia



Em alguns momentos dessa entrevista de janeiro de 1971 ao jornal trotskista "The Red Mole", o artista John Lennon se demonstrou mais materialista que os 'marxistas' que o entrevistaram:
JOHN LENNON: "Depois da revolução, você tem o problema de manter as coisas funcionando, de classificar todas as diferentes visões. É bastante natural que os revolucionários tenham soluções diferentes, que se dividam em grupos diferentes e depois reformem, essa é a dialética." - mas, ao mesmo tempo, precisam estar unidos contra o inimigo, para solidificar uma nova ordem. Não sei qual é a resposta; obviamente, Mao está ciente desse problema e mantém a bola em movimento ".

BLACKBURN:
"O perigo é que uma vez criado um estado revolucionário, uma nova burocracia conservadora tende a se formar ao seu redor. Esse perigo tende a aumentar se a revolução for isolada pelo imperialismo e houver escassez material".
 

JOHN LENNON: "Uma vez que o novo poder tenha assumido o controle, eles precisam estabelecer um novo status quo apenas para manter as fábricas e os trens funcionando".
 

BLACKBURN: "Sim, mas uma burocracia repressiva não necessariamente administra as fábricas ou trens melhor do que os trabalhadores poderiam sob um sistema de democracia revolucionária".
JOHN LENNON: "Sim, mas todos temos instintos burgueses dentro de nós, todos nos cansamos e sentimos a necessidade de relaxar um pouco. Como você mantém tudo funcionando e mantém o fervor revolucionário depois de alcançar o que se propunha a alcançar? É claro que Mao os manteve na China, mas o que acontece depois de Mao? Ele também usa um culto à personalidade. Talvez seja necessário; como eu disse, todo mundo parece precisar de uma figura paterna.
Curiosamente, a reflexão que John Lennon propõe a essa época, no trecho citado acima, muito se aproxima do que disse 9 meses antes de falecer o filósofo marxista italiano Domenico Losurdo, em debate sobre "A vida de Trotsky" organizado pela Editora Boitempo por ocasião do centenário da Revolução Russa. Vale a pena assistir na íntegra, mas destaco abaixo a parte a que me refiro (a partir da 1 hora, 13 minutos e 27 segundos do vídeo publicado no YouTube):



terça-feira, 27 de agosto de 2019

Deveríamos buscar lições com a China sobre a defesa da soberania nacional

Me decepciona a publicação pelo Intercept Brasil do artigo "As lições para o Brasil dos protestos de Hong Kong" ( https://theintercept.com/2019/08/19/revolta-do-guarda-chuva-hong-kong-protestos-china/ ), de Rosana Pinheiro-Machado. Um portal que tem se destacado por grandes contribuições ao jornalismo investigativo, revelando através de informações vazadas como agentes do Estado brasileiro agiram contra a Constituição, as leis e o desenvolvimento nacional, coloca em segundo plano as articulações do imperialismo norte-americano com os protestos de Hong Kong, que podem ser demonstradas citando documentos e fatos públicos, como fez Godfree Roberts no brilhante artigo "O cálice envenenado de Hong Kong: Quando civilizações se chocam" ( https://revistaopera.com.br/2019/08/05/o-calice-envenenado-de-hong-kong-quando-civilizacoes-se-chocam/ ).

Depois de discorrer sobre a criatividade, ousadia e capacidade de organização demonstradas pelos protestos de Hong Kong e mesmo reconhecer determinadas contradições dentro do movimento, a autora afirma:

"Na atual conjuntura, não acredito que o movimento, com todas suas contradições, penderá para a extrema direita imperialista."

Depois reafirma sua confiança citando as palavras que colheu de uma ativista de Hong Kong:

"nós, os que acreditam na democracia radical, justiça social no processo de autodeterminação de Hong Kong, somos a vasta maioria."

Há uma ingenuidade que a autora compartilha com "democratas" e "socialistas" de Hong Kong e que me lembra muito o documento "O Socialismo Petista", de 1990, no qual se afirmava sobre a Polônia: 

"O PT foi o primeiro  partido político brasileiro a apoiar a luta democrática do Solidariedade polonês, mesmo sem outras afinidades ideológicas.  Temos combatido os  atentados  à liberdade sindical, partidária, religiosa etc. nos países do chamado socialismo  real com a mesma  motivação com que lutamos pelas liberdades públicas no Brasil.  Denunciamos com idêntica indignação o assassinato premeditado de centenas de trabalhadores rurais  no Brasil e os crimes contra a humanidade cometidos em Bucareste ou na Praça da Paz Celestial. O socialismo, para o PT, ou será radicalmente democrático ou não será socialismo. Os movimentos que conduziram às reformas no Leste Europeu voltaram-se justamente contra o totalitarismo e a estagnação econômica, visando institucionalizar regimes democráticos e subverter a gestão burocrática e ultracentralizada da economia.  O desfecho desse processo está  em aberto e será a própria disputa política e social a definir os seus  contornos. Mas o PT  está convencido de que as mudanças ocorridas e ainda em curso nos países do chamado socialismo real têm um sentido histórico positivo, ainda que o processo esteja sendo hegemonizado por correntes reacionárias, favoráveis à regressão capitalista.  Tais movimentos devem ser valorizados, não porque representem em si um projeto renovador de socialismo, mas porque rompem com a paralisia política, recolocam em cena aberta os diversos agentes políticos e sociais, impulsionaram conquistas democráticas e, em perspectiva, podem abrir novas possibilidades para o socialismo. A energia  política liberada por  tamanha mobilização  social não será facilmente domesticada pelo receituário  do FMI ou pelos  paraísos abstratos da propaganda capitalista." ( https://www.enfpt.org.br/acervo/documentos-do-pt/encontros-nacionais/1990/O-socialismo-petista.pdf )

17 anos depois o PT reconheceria em novo documento com o mesmo título, "O Socialismo Petista", de 2007:

"A   partir   da   Polônia   iniciava-se   um   movimento  de contestação do socialismo burocrático, que se estenderia a todos os países   da   Europa   do   Leste,   atingindo   mais   tarde   a   própria   União Soviética. As chamadas "revoluções de veludo" no leste europeu e a posterior   dissolução   da   URSS,   não   propiciarem   uma   renovação democrática do socialismo, serviram de base para instauração de um   capitalismo   selvagem   que   atacou   duramente   as   conquistas sociais que os trabalhadores haviam anteriormente obtido naqueles países" ( https://fpabramo.org.br/csbh/wp-content/uploads/sites/3/2018/05/3-Congresso-nacional_Socialismo-Petista.pdf ).

E no entanto, mesmo constatando o quanto errou em sua aposta e o quão foram desastrosas as consequências trazidas pelo sucesso do movimento apoiado por eles na década anterior, o PT nada fez para impedir que o imperialismo coordenasse junto a agentes do Estado brasileiro investigações conduzidas de forma lesiva ao interesse nacional, que organizassem movimentos biônicos (MBL, Vem Pra Rua, etc.) e "think tanks" capazes de altos investimentos em difusão de informações falsas, desestabilizando a política e a economia do país e abrindo caminho para o ultra-liberalismo com feições fascistas que nos governa hoje.

Não se pode nunca subestimar a capacidade de o imperialismo atingir seus objetivos, muito menos quando para isto se conta com a espontaneidade de movimentos sociais sob influência de forças políticas obscuras financiadas a partir do exterior.

Temos muito mais a aprender com o Partido Comunista da China do que com o quarto da população que está nas ruas de Hong Kong. Afinal, a China sobreviveu à dissolução do socialismo no Leste Europeu e à avalanche neoliberal dos anos 1990, segue firme e forte na condução de seu Projeto Nacional de Desenvolvimento, construindo um socialismo autêntico, com características chinesas.

Os jovens de Hong Kong não contariam com tanta força nas ruas e simpatia internacional se determinadas organizações que operam nas redes sociais e na imprensa não estivessem obtendo financiamento externo. Mas quanto mais leio sobre as inconsistências e contradições dos que protestam em Hong Kong, mais tenho confiança de que a China vencerá mais uma vez, garantindo a integralidade de seu território e a soberania nacional. Infelizmente não tenho a mesma confiança no Brasil, dada a ingenuidade de nossa esquerda. Uma esquerda que se espelha nos "autonomistas" de Hong Kong sob influência direta do imperialismo norte-americano será incapaz de reverter nosso atual estado de coisas.


terça-feira, 4 de abril de 2017

The Propaganda Game: um documentário honestamente ambíguo


Os espanhóis Álvaro Longoria e Alejandro Cao de Benós

Já assisti a vários documentários sobre a Coreia do Norte gravados por ocidentais. Devo dizer que The Propaganda Game (disponível no Netflix: https://www.netflix.com/title/80085020) está acima da média. Na maioria das vezes os visitantes com câmeras não vão ao país para conhecê-lo e revelá-lo, mas sim para combater o que ele representa: goste-se ou não, a Coreia Popular é um dos poucos países que não aceitou se submeter à ordem mundial estabelecida pela hegemonia norte-americana. Pela soberania nacional, seu povo pagou e paga um altíssimo preço! Para mim (ao contrário do que o senso comum estabelece), há algo de muito LIBERTÁRIO no fato de a Coreia Popular se manter de pé! Mal os coreanos se livraram dos colonizadores japoneses (que faziam das mulheres coreanas escravas sexuais), toneladas de bombas norte-americanas foram lançadas sobre Pyongyang, reduzindo-a a escombros. Valia tudo para impedir a consolidação de uma república independente! Por muito pouco não lançaram a bomba atômica! Pyongyang renasceu das cinzas como Fênix, é uma cidade magnífica, limpa, cheia de moradias e áreas de lazer! Comparem com a Seul capitalista e suas favelas, metrôs ocupados por mendigos e sem-tetos! É lugar comum reclamar da dependência norte-coreana em relação à China e à União Soviética, mas não há bases militares estrangeiras (nem chinesas, nem russas) na Coreia Popular. Já a Coreia do Sul (assim como o Japão) é um país ocupado por dezenas de milhares de soldados norte-americanos, com suas bases e ogivas nucleares, cuja detonação é decidida do outro lado do Oceano. Quem é livre, afinal?

Voltando à premissa inicial: geralmente as gravações sobre a Coreia do Norte são apresentadas em edições nas quais aparecem apenas opiniões hostis ao país, de ocidentais carregados de preconceito e arrogância. Algumas dessas criaturas burguesas opinam nesse documentário, mas o diretor espanhol Álvaro Longoria teve o mérito de dar algum espaço para que os próprios norte-coreanos falassem. As filmagens mostram o dia a dia deles, um povo cheio de cor, tradições, brincadeiras... o vídeo foi construído estabelecendo ambiguidades, que nem todos percebem. A crítica à "propaganda" de forma alguma se limita à ideologia ensinada, cultivada e defendida em armas na Coreia do Norte. Há questionamentos também sobre a propaganda midiática que se faz do país mundo afora.


Algumas das estórias fantásticas inventadas contra a Coreia do Norte são desmentidas no próprio documentário. Outras ficaram sem o devido contraponto. Por exemplo, os norte-coreanos nunca reivindicaram terem encontrado um unicórnio de verdade, como sugeriram determinados "jornalistas" de grandes corporações midiáticas. O que foi descoberto por arqueólogos coreanos é um local chamado Covil do Unicórnio (http://solidariedadecoreiapopular.blogspot.com.br/2012/12/folha-de-sao-paulo-mente-sobre-coreia.html).

Alguns questionamentos que o diretor faz na edição do vídeo poderiam ter sido esclarecidos através de perguntas aos entrevistados. Por exemplo, sobre a animação Coração Valente estar sendo exibida na TV de um apartamento. Filmes americanos são mesmo determinantemente proibidos na Coreia do Norte? Acredito que haja restrições econômicas (nesse caso, mais de fora para dentro, via embargo) e mesmo políticas. Possivelmente alguém trouxe uma cópia da China. Mas eu já vi dançarinos caracterizados de personagens da Disney se apresentando em palco para norte-coreanos, enquanto cenas de animações clássicas eram exibidas no telão  (https://www.youtube.com/watch?v=sRUpuPVKip0). O próprio Kim Jong-un estava na plateia.

Outros questionamentos foram um tanto estúpidos, como desconfiar de uma mulher não querer mostrar o que tem na geladeira para o mundo inteiro, ou achar estranho que coreanos cristãos cantem "tão bem" (se no próprio documentário foi registrado que coreanos aprendem a cantar, tocar instrumentos, dançar, etc. desde pequenos).



Enfim, há muito mais o que se saber sobre a Coreia Popular, mais do que é possível em uma única visita, com roteiro preestabelecido e acompanhamento de guias. Mas os "espertos" deveriam lembrar antes de criticar que armistício não é tratado de paz e que a Coreia do Norte ainda se encontra em guerra, não simplesmente contra um vizinho, mas contra aquela que o ocupa, a maior potência econômica e militar do planeta.

Não dá mais para achar que é mera "teoria da conspiração" acusar a inteligência norte-americana de praticar atos de espionagem, sabotagem, assassinatos políticos, golpes de estado, etc. Não com tantos documentos revelados pela própria CIA e com os vazamentos de Assange e Snowden. Essas coisas existem, não são "paranoia". Os norte-coreanos poderiam abrir mão de suas regras rígidas sobre entrada de estrangeiros, de seu militarismo e de seu poderio nuclear dissuasivo. Terminariam como Iraque e Líbia. Felizmente não estão tentados a permitirem essa barbaridade! Uma pergunta para os que repetem como papagaios que a Coreia do Norte é uma ameaça à paz mundial: qual foi o único país do mundo a utilizar a bomba atômica contra pessoas? Uma estrelinha vermelha para quem acertar! Será que aqueles que têm que se retratar e se retirar não são na verdade os norte-americanos, para que os próprios asiáticos negociem os termos de paz entre eles? Ou devemos acreditar como racistas e colonizadores que esses povos precisam ser tutelados por gringos arrogantes?

Menina coreana pergunta se na Espanha as crianças também são amadas

Quanto ao outro espanhol, o comunista  Alejandro Cao de Benós, que optou por viver e servir à Coreia Popular: admiro sua tenacidade, mas considero algumas de suas ideias excessivamente românticas, como criticar as reformas de China e Vietnã (que longe de acabarem com o socialismo em ambos os países, o tornaram mais longevo) e idealizar que a Coreia do Norte se destaca por repudiar formas de organização da produção pelo mercado. O socialismo como transição do capitalismo ao comunismo pode sim comportar diversas formas de organização da produção, desde que subalternas à economia planificada, principalmente nos estágios em que as tecnologias mais avançadas forem monopólio das potências capitalistas. O recente Socialismo de Mercado chinês guarda muitas semelhanças com a Nova Economia Política proposta e executada por Lênin. Seria Lênin um traidor na concepção de Alejandro?

A própria Coreia do Norte tem promovido empreendimentos em comum com a Coreia do Sul capitalista. Laboratórios importantes para um projeto de reunificação nacional sob dois sistemas, como já foi proposto por presidentes dos dois países em encontros na década de 2000. Se os propósitos estabelecidos nas declarações conjuntas entre Norte e Sul (https://en.wikipedia.org/wiki/June_15th_North%E2%80%93South_Joint_Declaration e http://www.ncnk.org/resources/publications/North-South%20Declaration.doc/file_view) não foram alcançados, isto não se deve aos norte-coreanos, mas sim à influência imperialista e anticomunista dos EUA sobre a política sul-coreana. A tão aclamada "alternância de poder" no Sul levou ao abandono da "Sunshine Policy" defendida por Kim Dae-jung e Roh Moo-hyun. Não me admira que os representantes da burguesia ocidental opinem ao final do documentário que a reunificação não interessa a ninguém, e que se ocorresse seria necessariamente uma absorção do Norte pelo Sul, prevalecendo os interesses dos EUA. A reunificação interessa sim, aos próprios coreanos, que deveriam a promover sem ingerência estrangeira alguma! Mas a retirada das bases militares norte-americanas da Coreia do Sul e do Japão não parece ser uma causa humanitária, pelo menos não para certos ongueiros e intelectuais conservadores.



Termino com algumas indicações aos interessados em aprender mais sobre a Coreia Popular.

São os três documentários gravados pelo britânico Daniel Gordon:

A State Of Mind - https://www.youtube.com/watch?v=_Nd-iSCy1og
Crossing The Line - https://www.youtube.com/watch?v=wxQeVBndv3U
The Game Of Their Lives - https://www.youtube.com/watch?v=rG-ivV-ps50

E estes dois episódios do programa canadense Departures:

Departures - s03e12 - North Korea The Other Side - http://www.dailymotion.com/video/x36ibbx_departures-s03e12-north-korea-the-other-side_webcam
Departures S03E13 North Korea The Musical Documental - http://www.dailymotion.com/video/x4dxzw6

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Vietnã: a generalização preconceituosa de José de Abreu​ e as reportagens de Luiz Carlos Azenha​





















Não podemos tomar o todo pelo particular, condenando um povo inteiro pelo comportamento de algumas pessoas.

Recentemente, o ator e militante do PT José de Abreu voltou do Vietnã fazendo comentários extremamente depreciativos sobre aquele país e seu povo. Por quê? Porque teve algumas experiências ruins, por ter sido roubado:

Mas vejamos outra experiência que foi bem mais proveitosa.

Em 2009 o jornalista Luiz Carlos Azenha esteve no Vietnã por vários dias e fez uma excelente reportagem, mostrando a cultura e o dia-a-dia dos vietnamitas, falando sobre sua história, etc.

Essas reportagens estão disponíveis no Youtube em seis partes, que compartilho abaixo: